Viajando pela Europa, no mês de maio de 2014, o Tujaviu não resistiu e foi conferir as boas lojas de quadrinhos do Velho Continente. Depois de Paris, foi parar em Amsterdã, na Holanda, a cidade das bicicletas e ciclovias. É bom mostrar este tipo de tour aos brasileiros, já que as HQs ainda sofrem muito preconceito em nosso país, sendo consideradas exclusivamente como artigos para crianças e adolescentes. Um adulto que lê ou coleciona quadrinhos ainda não é comum no Brasil. Os que o fazem, são estranhamente olhados e taxados como nerds excêntricos. É verdade que as coisas estão mudando, graças a iniciativas de algumas poucas editoras, entre as quais cito a Nemo, mas é necessário uma verdadeira revolução em nossos hábitos e conceitos. Lá fora, os status dos comics é o mesmo que é dado aos livros, cinema e teatro. Tem muita gente que vive disso. No Brasil, além do auto custo que o cidadão tem que ter para se manter atualizado, do ponto de vista literário, ainda existe a questão dos baixos níveis de leitura da população em geral. É sabido que, neste ponto, ainda há muito o que ser feito. E tem mais! Em países como a Holanda, as pessoas falam outras línguas, além da sua própria. Desta forma, seu leque de opções para livros aumenta muito. Simplesmente, todos os holandeses falam inglês. Isso é completamente normal por lá. Não é difícil, vê-los se arriscando em outros idiomas, incluindo o francês. Como, inegavelmente, os europeus estão anos luz à nossa frente, em todos estes quesitos, suas sociedades acabam se beneficiando disto, mudando a cabeça das pessoas para melhor. Quem não lê, seja o que for, não evolui mentalmente. Uma das lojas holandesas visitadas pelo Tujaviu foi a Lambiek, a primeira loja de quadrinhos da Europa e provavelmente, a mais antiga a existir no mundo. Fundada em 1968, pelo saudoso Kees Kousemaker, ela está localizada na cidade de Amsterdã, na Rua Kerkstraat, número 132, dando preferência à produção local, francesa e belga de quadrinhos. Super-heróis não são seu forte. O nome da Lambiek foi tirado de um dos personagens da série Bob e Bobette (Suske en Wiske), criação do holandês Willy Vandersteen. Incrivelmente, achamos HQs em português no lugar, que também abriga uma galeria de arte. Trabalhos originais de quadrinistas, posters, camisetas e estátuas de famosos personagens das HQs franco-belgas podem ser achados na Lambiek. Lá, também é possível dar de cara com títulos do mercado uderground americano. Graphic novels de Daniel Clowe são destaque. Em relação às publicações locais, que dominam a loja, ficamos encantados com “Três dias no Rio”, de Peter van Dogen, apresentando uma narrativa retrô que se passa em terras cariocas dos anos 1950. Uma das boas sacadas do pessoal da Lambiek foi a de ter transformado seu cartão de visita em uma HQ de proporções minúsculas que cabe na palma da mão. Assim, fica super fácil de divulgar, já que ninguém vai jogar a peça fora. Depois de vasculharmos as inúmeras prateleiras da loja, conversamos com Boris Kousemaker, dono deste paraíso, que está atualmente em seu comando. O detalhe importante é que Lambiek se pronuncia Lambik. Demorou para compreendermos a sutileza. A seguir, veja o vídeo que gravamos na Lambiek, editado por PH, nosso gerador de conteúdo, além de algumas fotos que tiramos por lá. A penúltima mostra PH, ao lado de Boris Kousemaker.
Por Edy Tando.
UAU QUE LINDOOO!!!QUE VIAGEM MARAVILHOSA MTO RICA EM INFORMAÇÃO, PARABÉNS.