Quadrinhos

Na série “QUADRINHOS QUE QUASE NINGUÉM CONHECE”, desvendamos os segredos de Lou Smog

Escrito por PH

DSC02587A fascinação dos franceses e belgas pela cultura americana é nítida. No cinema e nos quadrinhos, isso sempre ficou evidente. No caso das HQs, não é à toa que tenham desenvolvido personagens emblemáticos como Lucky Luke (Morris) e Blueberry (Jean Giraud), dois carismáticos cowboys do Velho Oeste. E não é só isso! Muitas de suas narrativas, em Banda Desenhada, se passam na América dos dias de hoje ou ambientadas num passado mais recente. É o caso de Lou Smog, um tenente da polícia americana, dos anos 1950, que foi criado pelo artista Georges Van Linthout, mesmo desenhista do personagem Falkenberg. O parceiro de Smog se chama Lefty O’ Farrel e os dois já viveram incríveis aventuras náuticas em Port-Keenie (Maine), participaram da Carrera Panamerica, uma corrida de automóveis realizada no México, atravessaram o Ártico, enfrentaram assassinos, avalanches e lobos nas Montanhas Rochosas, estiveram envolvidos num caso de desaparecimento de um jovem, possivelmente abduzido por alienígenas, entre outros feitos. Smog foi criado, em 1985, para figurar no então ainda existente Jornal Tintin. A saga teve oito álbuns, sendo cinco pelas Edições Le Lombard e três por Editions Point Image JVDH. Foram eles: Le port des maudits (1990), Carrera Panaméricana (1990), Dakota fantôme (1991), La mémoire de la montagne (1992), Menace UFO (1993), Panique sous le chapiteau (1998), Cascade d’embrouilles (2001) e Chiens fous (2001). O traço Ligne Claire de Van Linthout se assemelha muito ao de Philippe Bethet (O Mercador de Ideias e Poison Ivy). Linthout produz histórias que são recheadas de aventuras, clima noir e diversos tipos de veículos. São clássicos modelos de barcos, aviões e carros que desfilam pelas páginas desta HQ. Atualmente, Lou Smog seria um prato cheio para a Paquet, editora suíça que já publicou material do curitibano José Aguiar. É que este selo, que também distribui suas publicações na França, privilegia argumentos que envolvam automóveis e aeroplanos. Destaque em Lou Smog para o Karmanguia conversível vermelho que é o “Batmóvel” da dupla, funcionando como se fosse um dos protagonistas da trama. Infelizmente, este é mais um quadrinho desconhecido pela maioria dos brasileiros e que nunca recebeu tradução para o português, nem mesmo em Portugal. Trata-se de um pequeno exemplo da quantidade de heróis, do Velho Continente, que ainda estão por serem descobertos em nosso país. Por outro lado, graças a este motivo, eles são combustível inesgotável para o site. Abaixo, veja as fotos que tirei dos três primeiros volumes de Lou Smog. As duas últimas imagens, presentes nas traseiras dos álbuns, mostram Georges Van Linthout, nos anos 1990, em seu estúdio e junto a um empoeirado carro antigo. As fotos foram creditadas a A.Rolland. Quadrinho é cultura! Divulgue isto.

Por PH.

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Sobre o Autor

PH

É ex-locutor do TOP TV da Record e radialista. Também produz a série Caçador de Coleções e coleciona HQs europeias, nacionais e quadrinhos underground

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