Quadrinhos

Conheça Franka, HQ Ligne Claire do holandês Henk Kuipjers

Escrito por PH

matSe você perguntar o que o metrô tem a ver com as histórias em quadrinhos, respondo que, no meu caso, ele tem tudo a ver. É só parar para pensar nas pessoas que gastam, em média, vinte minutos dentro deste tipo de transporte, indo para seus trabalhos, diariamente. Se todos aproveitassem o precioso tempo para ler, o consumo de HQs e mesmo de livros, aumentaria profundamente em nosso país. Desde 2012, sem automóvel, levando uma vida mais ecológica, percebi que o metrô seria um ótimo lugar para cair dentro da leitura. Em minhas idas e vindas, da Zona Sul do Rio para a região portuária e vice-versa, tenho consumido publicações, em quadrinhos, de autores americanos, brasileiros, espanhóis, franceses e belgas. Recentemente, adicionei a este elenco de artistas, o holandês Henk Kuipjers. Sua mais importante criação é Franka. De estilo assumidamente Ligne Claire, ostenta cores chapadas e capricho nos desenhos de automóveis, construções e vestuário, da mesma maneira que vemos em álbuns de Tintin. Apesar da extrema qualidade gráfica, Franka é desconhecida pelos brasileiros. Penso que a galera daqui iria gostar, pois seu traço é sensual e é comum vê-la com pouca roupa em algumas páginas de seus títulos. Não chega a ser nada de escandaloso! Pelo contrário! Ela é linda e suas discretas aparições, com escassez de vestimenta, são realizadas com muito bom gosto. Na Holanda, o número das aventuras de Franka passa de vinte. Até agora, em francês, saíram oito volumes pelo editor BD Must. Les Humanoïdes Associés e Dupuis publicaram outras tês histórias. São elas: Les Dents Du Dragon (partes 1 e 2) e Victime de La Mode, ambas de 1987. Por acaso, tenho esses dois primeiros títulos na prateleira da estante. Como gostaria muito que esta série fosse conhecida pela imensa maioria dos fãs nacionais de quadrinhos, vou falar um pouco dela, sempre na esperança de que alguma editora compre a ideia e traga a publicação para cá. Alô Editora Nemo! Franka surgiu em 1974, como personagem da revista holandesa Pep, mas só teve seu primeiro volume impresso em 1978. Em termos de heroína de HQs, Yoko Tsuno, de Roger Leloup, é sua similar mais próxima. Em revistas, Franka deu as caras em 1981, no Jornal Spirou. Para se ter uma ideia do sucesso que alcança lá fora, ela já vendeu mais de um milhão de álbuns nos Países Baixos, sendo considerada o Tintin dessa região, além de já ter chegado à Suécia, Finlândia, Dinamarca e Espanha. Franka passou por algumas transformações, desde que foi criada. Inicialmente, vivia na fictícia cidade de Groterdam, para só mais tarde, se assumir como moradora de Amsterdam. No começo de sua saga, era apenas uma secretária de museu. Depois, passou a investigar os mistérios mais complicados, muitos destes, ligados à questão da arqueologia. Acabou se tornando uma espécie de investigadora particular. A exemplo de Tintin, também possui um cão de estimação, de nome Bars. As semelhanças entre os dois param por aí. Uma grande diferença que a destaca do pequeno e solitário repórter criado por Hergé, está no fato de possuir uma vida sentimental. Ela tem um ex-namorado (Jarko) que a auxilia, às vezes, além de já ter tido um outro grande amor. Num álbum de 1996, cuja história se passa em Portugal, Franka se apaixona por Risque One (Rix), um ladrão que persegue e que, depois de uma relação intensa, acaba morrendo na Turquia. Em relação ao autor da obra, Henk Kuipjers nasceu em Haarlem, Holanda, em 1946. Graças à Franka, recebeu o prêmio Stripchapprijs em 1990. Já tendo cursado sociologia, Henk se inspira em bandidos de verdade e conta com a ajuda de profissionais que estudam o comportamento desses criminosos, para compor o perfil dos inimigos de Franka. Parece que todo este esforço para desenvolver a personagem e os vilões que combate deu certo. Em 2011, ela foi eleita como a mais popular heroína dos quadrinhos holandeses, segundo os leitores da revista Eppo. A seguir, veja fotos dos tomos 1 e 2 de Franka, tirados diretamente do acervo do site. A última imagem foi feita numa estação do metrô carioca. Levei Franka para ler no caminho para o trabalho.

Por PH.

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Sobre o Autor

PH

É ex-locutor do TOP TV da Record e radialista. Também produz a série Caçador de Coleções e coleciona HQs europeias, nacionais e quadrinhos underground

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